quarta-feira, novembro 27, 2002

Querido Papai Noel:

Salvador foi um ótimo menino o ano inteiro.
Tratou com cortezia os velhos, com respeito, os adultos, com bondade, os pobres e com muito carinho, as mulheres.
Fez a lição de casa em casa, cumpriu os prazos, cortou as unhas e aparou a barba.
Não rezou mas também não blasfemou além do necessário.
Assim sendo, ó querido Papai Noel, Salvador só tem um pedido a fazer neste Natal.
Ele quer todos os Belgas do mundo!!!

PS: Se o senhor fizer com que todos caibam dentro do seu saco, não precisa nem entregar, tá?

Com carinho,

Salvador
Viva o cinema mudo - Após ouvir a respeito de toda a polêmica em torno da novela das 8 da Globo envolvendo roteirista sem inspiração, atores sem talento e diretores sem vergonha, resolvi dar uma olhada. E devo confessar que a “Esperança” superou minhas expectativas.
Liguei a TV e me deparei com a sequência intrigante de um enterro. Parnasianismo puro, quase dez minutos de imagem e música sem nenhum diálogo . Genial!
Enterrado o difunto, começou o purgatório. Um diálogo entre um casal, imigrante de de Marte a julgar pelo sotaque, que transcrevo a seguir na íntegra:
“Má io penso assí, cara mía”
“Tú pensa assí, caro mío?”
“Sí, io penso assí, cara mía.”
“Ah, então... tú pensa assí caro mío”
“Echo... ío penso assí.”
Teletubies de adulto, não?
No entanto, acho que as críticas ao telefolhetim são exageradas.
O propósito desta forma de comunicação é qualidade? Deixe prá lá.
O que eu acho que o benedito e toda a corja do cabidão da Globo alcançaram com esta novela é maravilhoso.
A “Esperança”, com toda a sua falta de assunto, interesse e talento, recuperou a real vocação da novela.
Enquanto assistia ao episódio, arrumei três álbuns de fotografia que precisavam de cantoneiras, reconferi dois canhotos de cheques, fiz minha lista de Natal e cortei as unhas do pé com uma atenção imperturbável.
Lembrei de minha doce avó tricotando a coleção outono inverno da família na frente da TV.
Se a Globo continuar intencionalmente ou não fazendo novelas cada vez mais mudas eu serei “o maior noveleiro da paróquia”.

quarta-feira, novembro 20, 2002

Rafael Lima insiste na defesa dos belgas:

"Já passou dos limites!!!
Mais uma vez o Sr. Salvador McNamara volta com aquela sua incomprensível arenga contra os belgas, contrapondo meus argumentos anteriores, com os seus, abaixo reproduzidos, tal como ele fez, em corpo proporcional à importância:
"... . .. ..... ... . ...
..... .. . .. .. .... .
. ..... .. .... . ... ..
.. ... ... . ..... . ..."
É claro que para poder lê-los, será preciso no mínimo de um monitor de 25" com configuração adequada para ver placa de carro em foto de satélite. Bom, isso não importa; os tempos de glória belgas não cessaram nem esmorecereceu seu ânimo criativo e disponibilidade inventiva; o senhor mesmo, sr. McNamara, reconhece a obra-prima que foi a invenção do waffle, ou melhor, do gauffre, esse, insubstituível e à prova de imitações, sejam elas neioiorquinas, sejam elas daquele povinho entojado, o francês.
É sobretudo insultuosa a afirmação de que os belgas são "turistinhas sexuais de baixa performance", dado que, segundo os últimos relatórios da ONU, é da Bélgica a maior parte do público frequentador dos red light districts holandeses, particularmente o famoso bairro de Amsterdam -- isso porque em praticamente todas as grandes cidades belgas há um logradouro assim, o que os habilita ao título de garanhões dos países baixos. Não é à toa que Victor Hugo foi morar da Groot Markt, também queria usufruir desta fama...
Também é falsa a idéia apontado por ele de que a Bélgica não existe, baseada em fatos tão absurdos como os que afirmavam que a Inglaterra não existia (W. Shakespeare), ou mesmo, para não irmos muito longe, que Salvador (Bahia) não existia...
Não temos o direito de ignorar a solene presença de tão nobre nação, cujo cosmopolitismo e agradável clima o fizeram perfeita para abrigar a capital da Comunidade Européia, palco das maiores decisões internacionais tomadas hoje. A própria fidalguia do povo belga pôde ser comprovada na última copa do mundo, pela dignidade com que sua seleção de futebol tomou uma sova da do Brasil. Por fim, declaro que não tenho nenhuma ascendência belga na minha genealogia, de modo que caracterize essa defesa como absolutamente imparcial, austera e iluminada pela lanterna de Diógenes em busca da verdade, como toda argumentação intelectual deve ser. Tenho dito."



Ora bolas Lima, vamos de trás para frente:
Antes de mais nada verifique o óleo da lamparina que roubou de Diógenes, pois
só com uma lamparina bem fraquinha uma pessoa aparentemente capaz e
relativamente sã poderia sair na defesa da aberração biológica conhecida
como "o belga".
Aliás, verifique novamente a sua genealogia, pois o parentesco também
explicaria seu desatino. Cheque se algum ancestral seu, por acaso, morreu
por linchamento, 'over-dose' de xarope ou afogado na própria baba. Esses são
fortes indícios de belgianidade.
Pesquisas mais profundas revelam que o waffle é definitivamente Novaiorquino
e a marafona belga morreu de sífilis (outra causa mortem muito comum entre
os belgas).
Você esqueceu, no entanto, de uma outra invenção atribuída ao """gênio
belga""":
O Bilboquet, aquele brinquedo muito popular na virada do século passado que
consiste de uma bola de madeira com um furo ligada por um barbante a uma
haste de madeira.
O curioso é que segundo uma passagem do livro do renomado sociólogo,
historiador e jornalista François Maltie: "Bélgica, pra quê?", o bilboquet
foi concebido pelo ""inventor belga"" Rufius Lambermonte como instrumento de
tortura e auto-flagelo pois a população local, incapaz de fazer a bola
encaixar na haste, invariavelmente acertava-a na testa.
Diz Maltie: "... ao acertarem a pesada esfera de madeira na fronte, os
belgiers emitiam um ruído estridente e incômodo que era conhecido como a
risada belga. Esses energúmenos belgas..." (Maltie, F., 2002)
Com relação ao desempenho sexual desta espécie, o primeiro testemunho
positivo neste sentido é o seu. Novamente muito suspeito.
Resumindo, caro Lima: compreendo que o estágio tecnológico avançado em que a
humanidade se encontra, proporciona a vários terrestres contemporâneos a
possibilidade de se dedicar aos assuntos mais fúteis e desprovidos de
sentido. Mas, francamente, dentre todas as opções lúdicas, todos os
divertimentos banais oferecidos pelo grande parque de diversões planetário,
por que defender os belgas? Logo os belgas? Os pioneiros da degradação
humana, a parte mais baixa da âncora, o grão mais fundo do saco, enfim, o
elo perdido entre a bactéria e a planária, por que?
Como percebo que você é um rapazola engajadinho e repleto de energia para
desperdiçar, sugiro a seguir uma lista de outras causas muito mais nobres a
perseguir:
Luta pelo direito ao voto das marmotas;
Integração do Zimbabue à Comunidade Européia;
Reconhecimento do casamento consangüíneo entre anões albinos homossexuais, ou
não;
Reintegração das capitanias hereditárias à coroa portuguesa;
Abolição da escravatura no mundo playmobil.
Agora é com você, jovem Lima!
Escolha uma bandeira e "a la lucha compañero"!!!